Dor de cabeça: quando se preocupar

Assunto: Saúde e Prevenção

 

A dor de cabeça é a queixa de maior frequência nos pronto atendimentos do Brasil. Praticamente todo mundo já viveu um quadro de dor de cabeça, seja de maior ou menor intensidade. Essa dor pode surgir gradualmente ou de repente, apresentar-se em determinado ponto ou não ter uma localização precisa, durar algumas horas ou persistir por dias e até semanas.

“Na maioria das situações a dor de cabeça é desencadeada por estresse, noites maldormidas, calor, cheiros fortes, esforço exagerado ou por pular refeições. Nestes casos é necessário apenas descanso,  um remédio para aliviar o sintoma ou uma refeição equilibrada. Em outros casos, a dor de cabeça surge para indicar um problema mais grave que pode exigir intervenção médica imediata”, afirma o neurocirurgião Daniel Gil.

Atento às características da dor de cabeça

Segundo o neurologista Leandro Teles, existem alguns tipos de dor de cabeça que são mais preocupantes, por isso “é fundamental atentar para o padrão da dor, sua evolução no tempo, os sintomas associados e o contexto que gerou seu aparecimento”.

Uma dor de cabeça súbita, repentina e violenta, que atinge seu ápice de intensidade em poucos segundos, é muito preocupante. Essa descrição de dor específica está entre um dos sintomas de que um aneurisma cerebral se rompeu (dilatação e ruptura de um vaso sanguíneo).

Sempre que a dor de cabeça apresentar sintomas neurológicos relacionados, procure por atendimento médico imediatamente. Sintomas de fraqueza muscular em alguma parte do corpo, alteração de sensibilidade, confusão mental, alteração visual e dificuldade para falar ou caminhar podem indicar que a causa da dor de cabeça está alterando a função de alguma parte do cérebro.

Fique atento quando a dor de cabeça for acompanhada de febre, dores no corpo, náuseas, dificuldade de movimentos no pescoço ou manchas pelo corpo – esse conjunto de sintomas pode indicar uma meningite, um abscesso cerebral, uma sinusite ou dengue. Infecções mais brandas também podem causar dor de cabeça e mal-estar, como gripe, por exemplo.

 

 

Em casos onde a dor de cabeça ocorreu durante esforço ou atividade física, novamente surge a possibilidade da distensão ou ruptura de um aneurisma cerebral, pois o esforço aumenta a pressão nos vasos sanguíneos e pode predispor ao rompimento. Quando existe a relação temporal entre a atividade e o início da dor de cabeça intensa, uma investigação mais detalhada deve ser realizada.

Dor de cabeça em pessoas debilitadas, acima de 60 anos, com antecedente de tumores, problemas de coagulação, imunidade baixa, gestantes ou crianças pequenas requerem atenção especial. Nesses pacientes, a fragilidade aumenta a probabilidade de um problema mais preocupante, em comparação a uma pessoa saudável.

Aquela dor de cabeça que aumenta progressivamente e que mostra-se pior a cada dia requer  o atendimento rápido de um neurologista. Essa característica de evolução progressiva da dor é algo típico de lesões que ocupam espaço dentro do crânio, não ocorrendo em enxaquecas que se mostram mais estáveis e em dores de cabeça tensionais, que geralmente apresentam períodos de piora alternados com melhora.  

 

 

Atenção com dor de cabeça que inicia após traumatismo relevante. O trauma pode gerar contusões, inchaço e sangramentos dentro do cérebro. Atente-se para a dor que ocorre em um local diferente do local exato da batida, para sintomas neurológicos como sonolência ou confusão, para secreção de ouvido ou nariz (surgida após o trauma) e hematomas atrás da orelha ou abaixo dos olhos (sinais de traumas mais intensos).  

Importante destacar que as informações aqui elencadas não são regras absolutas, sendo fundamental procurar a ajuda de um especialista de confiança para se certificar do diagnóstico exato assim que uma dor de cabeça alterar a sua rotina diária, mesmo que seus sintomas não contemplem nenhum critério acima citado.

 

Fontes:
Neurologista Leandro Teles (CRM 124.984) www.leandroteles.com.br
Neurocirurgião Daniel Gil  (CRM 115704) www.minhavida.com.br/especialistas/9316-daniel-gil

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